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Brasileiro casado com americano tem pedido de asilo negado nos EUA

outubro 29, 2009
Genesio e Coco conversam pela web (Foto: Elise Amendola/AP)

Júnior e Tim conversam pela web (Foto: Elise Amendola/AP)

Os Estados Unidos negaram o pedido de asilo do brasileiro Genésio Januário Oliveira Júnior, 30. Segundo seu marido, o norte-americano Tim Coco, o procurador-geral designado para o caso, Eric Holder, “não levou o pedido a sério”, e não agiu até o prazo limite para o pedido de Junior, que se esgotou na última sexta-feira, 20/10.

Em 2002, Júnior deu entrada no pedido de asilo nos EUA argumentando ter sofrido abusos quando era adolescente no Brasil.

Ele se casou com Tim Coco em 2005, em Massachusetts, quando ainda tinha apenas o visto de turista. O estado de Massachusetts permite o casamento homossexual, mas, não é garantida a um estrangeiro possa permanecer no país legalmente por imposição de uma lei federal. Foi o que acabou acontecendo dois anos depois do casamento de ambos, Júnior foi obrigado voltar para o Brasil por ter o seu visto expirado.

O caso ganhou repercussão após o casal entrar com pedido de asilo argumentando que tinham medo de que Júnior poderia sofrer novos atos de preconceito e agressão no Brasil e depois de Tim ter conversado com o senador e ex-candidato à presidência dos EUA John Kerry.

Kerry pediu ao Departamento de Justiça que reconsiderasse o caso e conceda asilo diplomático ao brasileiro. Júnior também enviou uma carta, no ano passado, para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para o então presidente americano George W. Bush e para o ministro das Relações Exteriores Celso Amorim.

Na Corte americana, Júnior chegou a contar com detalhes do abuso sexual que foi vítima. “Meu pedido foi aceito com acreditável e genuíno, mas mesmo assim por razões inexplicáveis o juiz Cramer não me deu asilo, e não levou em consideração de que eu era casado com um cidadão americano, e que não me dando asilo, além de eu correr risco no Brasil, estaria me separando do meu esposo e amigos”, afirmou. O juiz da imigração que negou o pedido afirmou que Júnior teria negado ter sofrido danos físicos quando foi abusado sexualmente.

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Tim Coco e Genésio Januário Oliveira Júnior posam para foto, em Salvador (Foto: arquivo pessoal)

“O Brasil, como deve saber, é superpreconceituoso e há muitas perseguições a homossexuais, não só moralmente como fisicamente. O Brasil, apesar de reconhecer matrimônios entre casais de mesmo sexo para imigração, a população em si não respeita casais de mesmo sexo. A polícia do Brasil já participou de vários crimes contra homossexuais segundo o grupo Gay da Bahia. Um motivo a mais para ser cauteloso em pedir ajuda”, afirmou ele. “Nosso objetivo era tentar levantar essa questão de nossa separação com uma autoridade maior dos Estados unidos, dizendo que um cidadão americano estar sofrendo injustiça de seu governo, por estar separando o de sua família e que eu, cidadão brasileiro, estava sendo injustiçado também”, completou.

Júnior disse também que não prefere revelar a cidade onde está morando no Brasil por questões de segurança.

“Eu não quero dar entrevista pessoalmente ou fazer gravações. O Tim pode fazer entrevista, pois ele não se importa e não estará correndo risco nos Estados Unidos. Quanto a dizer onde estou, é uma questão de precaução e segurança”, disse. “A Associated Press divulgou meu nome e foto com minha autorização. Isso não é um segredo, mais vamos tentar manter o foco desta questão que o juiz não me deu asilo por motivos inexplicáveis e que eu estou separado de minha família. Revelar onde estou teria que mudar meu cotidiano uma vez mais e de minha família e quero ter a certeza de que eu e meus familiares estaremos seguros de alguma brutalidade por parte de homofóbicos e não abordados por estranhos”, completou.

Via G1 aqui e aqui

Morre o senador da causa LGBT

agosto 26, 2009

Ted Kennedy

Ted Kennedy, senador americano, morreu aos 77 anos na noite desta terça-feira, 25/08, conforme informado pela família à imprensa. Ele lutava contra um câncer no cérebro.

O mais novo dos três irmãos que ocupavam papel central na política americana, Edward M. Kennedy tornou-se uma das vozes mais proeminentes em defesa de políticas liberais nos Estados Unidos desde que foi eleito em 1962 para a vaga no Senado que fora do seu irmão John Kennedy, então presidente. Muitas das lutas LGBTs encontraram apoio no senador democrata.

Em 2004, durante uma tentativa frustrada pelos conservadores para passar uma alteração constitucional que proibia o casamento homossexual, Kennedy disse no Senado, “Todos sabemos sobre o que é esta questão. Não é como proteger a santidade do casamento ou como lidar com juízes ativistas. Trata-se de uma política e tentativa de conduzir um grupo de cidadãos levarem vantagem política (…). A Constituição nunca foi utilizada para entrincheirar opiniões populares em detrimento de uma minoria impopular – e não deve se usada dessa maneira agora.”

Em 2007, ele introduziu o Ato contra os Crimes de ódio Matthew Shepard, que passou como uma emenda no projeto de renovação do Departamento de Defesa, mas que foi retirado da pauta depois que o presidente George W. Bush ameaçou veta-lo. Kennedy reintroduziu o projeto que será debatido em 2010, antes de ser enviado para a mesa do presidente Barack Obama.

Também no mesmo ano, Kennedy introduziu o ENDA, o projeto de lei de prevenção do emprego não discriminatório.

Neste ano, ele estava trabalhando junto com movimento LGBT americano, um projeto que reverteria a proibição de gays nas Forças Armadas.

O senador recebeu em julho a Medalha Presidencial da Liberdade, a maior honraria que um civil norte-americano pode receber do seu país, na mesma cerimônia que Barack Obama homenageou Harvey Milk e o ícone do tênis lésbico Billie Jean King.

Vídeo tributo ao senador Ted Kennedy

Via Folha Online, Advocate