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A merda do Parasita homofóbica

abril 24, 2010
Reprodução do jornal estudantil "O Parasita"

Reprodução do jornal estudantil "O Parasita"

A sociedade paulistana está dando passos para trás quando o preconceito e a homofobia se instalam dentro das universidades, principalmente numa instituição pública de importância como é a Universidade de São Paulo. De acordo com que está circulando na grande imprensa, um jornal de alunos da USP que tem o nome de “O Parasita” está incitando estudantes a jogarem fezes em “viados”. A quem fizer o tal ato “heróico”, ganha entradas para uma festa universitária.

“O Parasita”, que é escrito por alunos do curso de farmácia, infringiu a lei paulista que combate a homofobia, a Lei 10.948. Segundo a defensora Maíra Diniz, coordenadora do núcleo de combate à discriminação, racismo e preconceito, “é uma coisa terrível. Eu fui surpreendida de ver que estudantes de farmácia, que têm a obrigação de esclarecer o público, pensam desta maneira. Não é só uma mera opinião, isso configura homofobia”.

Mas os autores do jornal serão “julgados” por uma comissão que irá apurar se eles cometeram homofobia. Segundo a defensora “a homofobia não é crime, por isso é apurado por essa comissão. É um processo administrativo que pode render uma advertência ou uma multa mínima, no valor de R$ 15 mil, se os acusados forem considerados culpados” (destaques pela nossa redação). O valor é destinado para fundos de políticas para diversidade sexual.

Ai você vê que o desprezo a homossexuais não está apenas na cabeça de um ganhador de reality show e seu fã-clube, mas encontra-se, de forma muito pior, na cabeça de estudantes da maior universidade do país. Estudantes que serão cientistas, intelectuais, professores, enfim futuros formadores de opinião da nossa sociedade.

E enquanto não consegue mudar o pensamento da sociedade, da classe mais baixa até a classe mais rica e intelectualizada, são necessárias formas de proteção para nós LGBTs. A lei paulista não é eficiente, mas ela existe e tem que usado a nosso favor. Mas faz necessária a criminalização da homofobia, que quando não mata, discriminaliza e nos constrange.

Leia o texto [comentado pela nossa redação] que está fazendo toda essa “merda” na USP

Lançe-merdas [o português ainda vai sofrer muito...] e Brega será na Faixa

Ultimamente nossa gloriosa faculdade vem sendo palco de cenas totalmente inadmissíveis.

Ano passado, tivemos o famoso episódio em que 2 viadinhos trocaram beijos em uma festa no porão de med. Como se já não bastasse, um deles trajava uma camiseta da Atlética.

Porra, manchar o nome de uma instituição da nossa faculdade em teritório dos medicús [ele se sente inferior ou é puro preconceito aos que fazem medicina?] não pode ser tolerado.

Na última festa dos bixos, os mesmos viadinho citados acima, aprontaram uma pior ainda. Os seres se trancaram em uma cabine do banheiro, enquanto se ouviam dizerem do tipo “Ai, tira a mão daí.”

Se as coisas continuarem assim, nossa faculdade vai virar uma ECA [mais um preconceito, agora contra os que fazem a Escola de Comunicação e Artes].

Para retornar a ordem na nossa querida Farmácia, O Parasita lança um desafio, jogue merda em um víado, que você receberá totalmente grátis, um convite de luxo para a Festa Brega 2010.

Contamos com a colaboração de todos.

Joãozinho Zé-Ruela [como um cara deste que nem sabe escrever direto entra na USP? E para terminar com a pergunta que não quer se calar: o que mancha o nome de uma instituição é um beijo gay ou uma merda de homofóbicos?]

NOTA DE REPÚDIO DA ABGLT SOBRE O COMPORTAMENTO DE MARCELO DOURADO NO PROGRAMA BIG BROTHER BRASIL 10

fevereiro 22, 2010

Campanha Fora Dourado, Fora Homofobia!

Participe da mobilização para denunciar e tirar do ar esse sujeito, que além de homofóbico, faz apologia ao crime e incitação à violência, especialmente contra as mulheres.

O covarde afirmou que, se não estivesse sob a vigilância das câmeras, quebraria os dedos de Angélica e a deixaria sangrando na porta de um hospital.

Confira os detalhes no site Parada Lésbica:
http://paradalesbica.com.br/2010/02/campanha-fora-dourado-fora-homofobia-2/

Via Cultura Crossdresser

A ABGLT – Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais – é uma entidade de abrangência nacional que congrega 237 organizações congêneres e tem como objetivo a defesa e promoção da cidadania desses segmentos da população. A ABGLT também é atuante internacionalmente e tem status consultivo junto ao Conselho Econômico e Social da Organização das Nações Unidas.

Neste sentido a ABGLT vem a público manifestar o seu repúdio às declarações e ações homofóbicas e machistas de Marcelo Dourado, participante do programa Big Brother Brasil 10, veiculado pela Rede Globo.

Entre outras manifestações, como o uso do símbolo nazista no braço, podemos citar suas atitudes homofóbicas em relação aos participantes homossexuais do programa, incluindo a disseminação da noção equivocada de que “homem hétero não pega aids”, e a ameaça de espancar uma mulher lésbica participante do programa, conforme pode-se verificar nos vídeos disponíveis nos links abaixo:


Link do vídeo


Link do vídeo

Os dados epidemiológicos do Ministério da Saúde demonstram claramente que uma das tendências atuais da epidemia da aids é justamente a feminização, ou seja, há um aumento nos casos de aids na categoria de transmissão heterossexual (homem/mulher) enquanto o número de casos de aids na categoria homo e bissexual está estável há vários anos. Tal aumento na população heterossexual se deve em grande parte a crença estigmatizante de que a aids é uma doença apenas de gays, e que tristemente foi reproduzido pelo Sr. Dourado em cadeia nacional de televisão.

Estudos publicados nos últimos cinco anos vêm demonstrando e confirmando cada vez mais o quão a homo-lesbo-transfobia (medo ou ódio irracionalmente às pessoas LGBT) permeia a sociedade brasileira e assimilada pela juventude.

A pesquisa intitulada “Juventudes e Sexualidade”, realizada pela Unesco no ano 2000 e publicada em 2004, foi aplicada em 241 escolas públicas e privadas em 14 capitais brasileiras. Na pesquisa, 39,6% dos estudantes masculinos não gostariam de ter um colega de classe homossexual, 35,2% dos pais não gostariam que seus filhos tivessem um colega de classe homossexual, e 60% dos professores afirmaram não ter conhecimento o suficiente para lidar com a questão da homossexualidade na sala de aula.

O estudo “Revelando Tramas, Descobrindo Segredos: Violência e Convivência nas Escolas“, publicado em 2009 pela Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana, traz uma amostra de 10 mil estudantes e 1.500 professores do Distrito Federal, e aponta que 63,1% dos entrevistados em uma escola alegam já ter visto pessoas que são (ou são tidas como) homossexuais sofrerem preconceito; mais da metade dos professores também afirmam já ter presenciado cenas discriminatórias contra homossexuais nas escolas; e 44,4% dos meninos e 15% das meninas afirmam que não gostariam de ter colega homossexual na sala de aula.

A pesquisa “Preconceito e Discriminação no Ambiente Escolar” realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, e também publicada em 2009, é uma amostra nacional de 18,5 mil alunos, pais e mães, diretores, professores e funcionários, e revela que 87,3% dos entrevistados têm preconceito com relação à orientação sexual.

A Fundação Perseu Abramo publicou em 2009 a pesquisa “Diversidade Sexual e Homofobia no Brasil: intolerância e respeito às diferenças sexuais”, que demonstra que 92% da população reconhece que existe preconceito contra LGBT e que 28% reconhece e declara o próprio preconceito contra LGBT, percentual este cinco vezes maior que o preconceito contra negros e idosos, também identificado pela Fundação.

As atitudes e declarações de Marcelo Dourado, em um programa de televisão com grande audiência nacional, apenas servem para reforçar toda esta carga de preconceito, discriminação e estigmatização contra a população de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT), e demonstram a impunidade com que esta forma de discriminação se aplica na sociedade brasileira, ao contrário do racismo e outras formas notórias de discriminação passíveis de punição prevista em lei.

É preciso envidar esforços, a exemplo da iniciativa do governo federal, através do Plano Nacional de Promoção dos Direitos Humanos e Cidadania LGBT, para que se diminuem o preconceito e a discriminação contra pessoas LGBT, e que se promova o respeito às diferenças, quaisquer que sejam, existentes entre as pessoas que compõem nossa sociedade. Os meios de comunicação têm um papel chave nesta empreitada.

Toni Reis

Presidente

ABGLT – Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais