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Stonewall, 1969. Você sabe o que aconteceu lá?

novembro 15, 2009

stonewall

Poucos sabem (principalmente os mais jovens), mas um acontecimento em Nova Iorque em 1969 entrou pra História Universal como o dia que desencadeou o princípio da luta por seus direitos e pela liberdade dos homossexuais.

O bar Stonewall, que era freqüentado por gays, lésbicas e travestis nos anos 60 era constante alvo dos policiais, que realizavam blitz, extorquiam e realizavam prisões com toda a ‘delicadeza’ que conhecemos bem. Casados dessa rotina de opressão, humilhação e desrespeito um dia, mais precisamente em 28 de junho de 1969, cerca de 400 freqüentadores decidiram enfrentar a polícia com a cara, a coragem, socos, pontapés e tudo o que tivesse pela frente, estava instaurada a Revolta de Stonewall.

Por vários dias essa ‘guerra’ se sucedeu, juntando cada vez mais gente em favor dos homossexuais, sendo noticiada e espalhada por todos os Estados Unidos, o que culminou em diversos protestos em outros cantos de lá e adesão do mundo a toda essa movimentação.

Esse episódio foi o propulsor para o que chamamos hoje de Orgulho Gay , o dia em que homossexuais saíram do gueto e foram para as ruas mostrar a cara e a força para exigir o que lhe é de direito. Foi necessária a força bruta de um povo até então frágil e desprotegido para que nós hoje tivéssemos um espaço em crescente abertura na preconceituosa e vil sociedade que nos acolhe e nos devora!

Transexuais invadem o meio acadêmico!

novembro 11, 2009

Não sei se pela tradição, pela mídia, ou pelo meinho; mas as transexuais são conhecidas por brilharem nas avenidas e nas boates. Fugindo desse padrão e revelando histórias pessoais de luta e grandes vitórias duas transexuais, uma natural do Ceará e outra de Brasília conseguiram chegar ao mais alto grau acadêmico de um país de analfabetos.

Luma Andrade

Luma Andrade

Luma Andrade, aos 31 foi a primeira transexual a ingressar num curso de doutorado no País, pela Universidade Federal do Ceará, concursada da Secretaria da Educação de seu estado trilhou um caminho sem precedentes na história. Formada em Ciências pela Universidade Estadual do Ceará lutou contra a segregação social e a exclusão se tornando professora e mais tarde coordenadora pedagógica.

jaqueline jesus

Jaqueline Jesus

Jaqueline Jesus, 31 anos é psicóloga, aprovada em 1º lugar no mestrado em psicologia e agora também 1ª colocada no doutorado também em psicologia pela UNB. A respeitada funcionária do Ministério do Planejamento rompeu barreiras sociais e hoje transita pelo Planalto, não pelas suas avenidas e sim no interior de seus prédios planejados de onde saem as decisões do País.

Essas mulheres escrevem histórias de sucesso e superação. Superando barreiras impostas por uma sociedade extremamente moralista e homofóbica, como também do próprio meio gay que expõe o transexual durante a noite e o esconde durante o dia. Elas revelam que existem outras possibilidades para as transexuais além da noite e da prostituição: o direito à cidadania.

Histórias como essas são realmente admiráveis, numa época em que a ignorância é confundida com a espontaneidade e a alienação parece ser “um fim em si mesmo” para o meio gay encontramos pessoas que lutam no seu dia-a-dia para desconstruir um padrão, crescer e deixar um legado de esperança, pois sabemos que transexuais são naturalmente excluídas da sociedade.

É só parar pra pensar: Quantos travestis vimos nos corredores da escola na época de colégio, na fila do correio, sentado numa praça lendo um livro, prestando um concurso público, ou mesmo na lista de aprovado de uma universidade, quer dizer coisas que pra muitos de nós sempre foi algo naturalmente cotidiano.

Agora pense: Quantos vemos nas boates e gritamos: Maravilhosa! – quando uma termina seu show? E quantas vezes fingimos não conhecer quando a vemos no supermercado lá na Brigadeiro Luís Antônio?

Pois é, sem perceber confirmamos o que é praticamente unanimidade, transexuais restritas ao gueto, mas é ótimo saber que essas duas “guerreiras” apresentadas a vocês mostram que lugar de transexual também é na elite acadêmica desse País.

Particularmente desejo uma trajetória de grande sucesso à essas duas mulheres admiráveis e não só a elas, a todas que de dia ou de noite estão aí na luta e que estão mostrando que é possível sim vencer!

Como diria Chico Buarque: Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas…

Saiba mais:

Professores ainda estão despreparados para lidar com a diversidade sexual, mas a culpa é de quem?

novembro 8, 2009
lapisarcoiris

Foto: Màssao Uéhara

Criticar a educação brasileira já é de praxe, difícil é ir além da crítica e propor soluções viáveis, no caso da diversidade sexual a mesma coisa…

A única orientação que os professores recebem é que se deve trabalhar os temas transversais da educação básica que englobam, entre eles, a questão da diversidade sexual. Mas nenhum professor teve ou tem qualquer formação realmente pedagógica sobre a questão, e trabalhar a diversidade sexual vai muito além do que tentar ensinar os alunos a não ter preconceito contra os homossexuais. E mesmo, os que quiserem adquirir conhecimento sobre o tema, estudar onde?

A diversidade sexual foi definida como tema transversal na educação, na tentativa teórica de tentar mostrar aos novos estudantes que a sexualidade não se resume mais a dois papéis e que a liberdade, tanto do corpo, quanto do sexo é um fato real na sociedade. A intenção é pra ser aplaudida de pé, mas passado o aplauso fica o silêncio já que não se sabe como começar a trabalhar esse tema na sala de aula. E mais, como um professor vai trabalhar isso em sala de aula, se ele mesmo não se sente confortável e nem acha que os homossexuais tenham tanto direito assim a ponto de interferir na educação formal; a própria comunidade escolar como um todo, incluindo funcionários, direção/coordenação e até os pais, ainda tratam essa questão como tabu ou puramente como uma questão pejorativa, visto que na sala dos professores não faltam piadas de muito mau gosto sobre os alunos homossexuais que estão sob suas responsabilidades e o pior, sob seu jugo.

Quando um professor bem intencionado tenta trabalhar isso em sala de aula, se o assunto não vira um festival de piadas, e o mesmo consegue sucesso, passa a ser marginalizado por defensores da educação tradicional que carregam na ponta da língua o discurso que a função de professor é passar conteúdo acadêmico, pra vida quem prepara é a família. É claro que professores não são babás, mas se os alunos não tiverem na escola um espaço pra discutir e exercer sua sexualidade, em casa é que não vão ter, e quais lugares sobrariam?

Parece piada reconhecer que nos high-tec anos 2000 sexualidade ainda seja tratada como tabu, o que dirá da diversidade dessa sexualidade e do direito de se exercê-la como ela é pra cada um individualmente e naturalmente.

O perigo e o prazer

novembro 3, 2009

homofobia

Alguns quando vão pra cama com outro homem, morrem de amor; outros morrem a facadas.

O apresentador do programa 'Fama e Sucesso', Jorge Pedra  (Foto Correio*)

O apresentador de TV Jorge Pedra (Foto Correio*)

A morte do apresentador da televisão baiana Jorge Pedra, assassinado num quarto de hotel por seu acompanhante desconhecido, toca no cerne de um assunto tanto polêmico, quanto cotidiano. O de pessoas que levam pra suas vidas o perigo na tentativa de se conseguir prazer.

Num tempo em que gays gritam um não bem alto contra a homofobia, um assassinato como esse revolta, por diversas razões. Nós sabemos como funciona a movimentação no nosso mundinho, quando saímos com nossos amigos pra balada ou para um bar em qualquer circuito gay do país, sabemos que aqueles caras geralmente charmosos e sarados não estão parados na calçada esperando o ônibus e sabemos que os que param seus carros e os convidam pra entrar não estão ali dispostos a praticar a fraternidade e dar uma carona. Infelizmente crimes como esse são comuns, não é de hoje que homens são encontrados mortos em quartos de hotéis ou mesmo em suas casas após sair com um anônimo.

Que atire a primeira pedra quem nunca fez sexo com um cara que nunca viu e que nunca conheceu, para alguns o suspense, o perigo é até um atrativo a mais, turbina o prazer e permeia o fetiche estar ali entregue a um cara mal encarado e depois do gozo ter a sensação de que sobreviveu e ganhou mais um transa inesquecível pra colocar na memória, pra outros essa prática pode ser uma alternativa pra compensar a timidez em se conhecer alguém, o auto-preconceito, enfim, trocentas coisas que psicólogos e afins podem destacar com propriedade.

O fato é que michês são um convite ao deleite do prazer e ao perigo. Todos? Acredito que não, assim como prostitutas levam seu dia-a-dia com profissionalismo, acho que existem vários ‘prostitutos’ que encaram seu dia-a-dia assim, com responsabilidade.

Fachada do Hotel Democrata (captura de tela)

Fachada do Hotel Democrata (captura de tela)

Nesse caso em específico, a morte trágica de um apresentador de televisão, que tinha um companheiro, uma profissão, uma vida em comum, teve sua morte potencializada pela negligência: do hotel que não se preocupou em fazer o registro, da vítima que descuidou da sua própria segurança, da sociedade que insiste em nos hostilizar e nos recolher nos guetos junto com toda a sorte que pudermos ter e de um grupo que cresce a olhos vistos, mas que não se organiza, os michês.

Numa época em que cobramos do poder público ações efetivas contra esses crimes bárbaros que assolam nosso cotidiano, várias perguntas ficam no ar: O que o poder público pode fazer? O que quem é adepto do sexo pago pode fazer? O que quem trabalha com o sexo pode fazer? O que eu posso fazer?

Até quando o “casamento gay” vai ser usado como discurso por nossos políticos?

novembro 1, 2009
O Gay.Com.Br tem o prazer de anunciar seu mais novo colaborador do site:

decioso-2Décio Só, tem 29 anos, é biólogo e professor. Como escritor publicou citações e máximas em uma coletânea intitulada Livro da Tribo entre 2003/2004. Atualmente é acadêmico da Universidade Federal de Ouro Preto em Administração Pública, estudando a relação política pública/exercício da cidadania. Autor do artigo científico “O Papel do legislativo municipal nas ações de prevenção às DST e atenção ao soropositivo”, publicado nos Anais do 7º Congresso Brasileiro de DST/Aids. Apaixonado por motocicletas e dança de salão. Escreve sobre educação, política e sociedade.

casamento gayHá muito tempo temos acompanhado a longa novela sobre a união civil entre pessoas do mesmo sexo, projeto de lei que se arrasta a passos de tartaruga no congresso desde 1995, já completou dez anos de idade na sua tramitação e ano que vem deve fazer baile de debutante ainda no congresso…

Há muito tempo também estamos vendo diversos políticos falarem empolgados em seus discursos serem a favor da união civil, o próprio presidente também já manifestou sua adesão e, ainda assim, o projeto ta lá, quietinho esperando ser aprovado pra mudar a vida de milhões, isso mesmo, milhões de brasileiros.

A união civil reconhecida acabaria com a fila de processos existentes em que homossexuais reclamam por direito de herança ou pensão de seus pares, bem como pedidos pra inclusão em planos de saúde, toda a ‘ladainha’ que já estamos ficando carecas de tanto ouvir. A questão que fica no ar é a seguinte: Já que é um projeto com tanta adesão, de juízes, deputados, senadores e presidentes (já que passaram mais de um), porque ele ainda está trancado no congresso? Talvez porque levantar a bandeira pelo casamento gay gere milhões de votos, já que todo gay tem seu direito de voto garantido e um título de eleitor no bolso. E se o projeto for aprovado, o que mais os políticos podem prometer pros gays?

Os políticos, em teoria, estão lá pra representar o coletivo, e nós não somos coletivo? Não, somos minoria, como a maioria deles sempre citam: é preciso lutar pelas minorias

Enquanto o congresso nacional não faz seu papel e não aprova esse projeto; políticos, juízes, advogados posam de mocinhos defensores do direito das minorias. E nós que estamos na nossa luta diária, cumprindo nossos deveres de cidadão – que são muitos – o que podemos fazer? Podemos votar, pagar impostos e até nos apaixonar por alguém do mesmo sexo, mas ainda não temos o direito à dignidade de se construir uma relação social e afetiva que dure além do até que a morte nos separe…