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Oi, bem!

9 fev 2010 | por BHY (guest contributor)
De: Destaques > Cultura > Televisão > br
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Não vou nem justificar porque gosto do Big Brother Brasil. Falar mal de quem assiste é tolice, é como falar mal de quem vê futebol. Milhões gostam do esporte de gente fina praticado por brutos. O mesmo vale para o BBB. Bastou que eu demonstrasse minha torcida para que Dourado permanecesse no jogo, e assim colocasse um pouco de verve, para que algumas pessoas reclamassem no Twitter. Convenhamos, só com os vilões é que o programa fica interessante. Gente que diz besteira, que faz armações ou coisas que atiçam as outras e que, se desmascarada, não sabe onde enfiar a cara.

E Dourado faz tudo isso. Ele caçoou dos gays quando começou a tocar “I Will Survive”, logo com Alex, um cara, no mínimo, suspeito já que, segundo o André Fischer, teria tido um caso com um amigo conhecido seu. Alex pode estar usando de preconceito para esconder sua orientação sexual. Dourado está sendo preconceituoso na cara dura. Quem é o vilão mais honesto? Noutra ocasião, Dourado disse que gostaria de fazer uma tatuagem com uma suástica, o símbolo máximo do Nazismo. No auge de seus delírios homofóbicos, Dourado disse que homens héteros só contraem o HIV se tiverem uma relação com outro homem, na relação heterossexual não haveria essa possibilidade. Não bastasse tudo isso, ele entrou em confronto direto com Dicesar. Toda vez que via alguma viadagem do Dimmy Keer, Dourado retrucava.

Ele é homofóbico por querer ser como sempre foi, e como quase todo mundo é. Nós não crescemos com exemplos positivos de homossexuais na sociedade. Não nos dizem que eles existem e que devem ser respeitados. Não porque são gays, mas porque são gente. Acontece que Dourado, de certo modo, se transformou num “homossexual funcional” do BBB. Já que ele participou do programa numa edição anterior, virou persona non grata e sentiu na pele como é ser rejeitado pela simples presença. Homossexuais sofrem desse preconceito, muitas vezes dentro da própria família. Vivenciando tudo isso, Dourado teve que tentar arrumar um modo de conviver com os 3 homossexuais do programa. Ele não deixou de ser homofóbico, não vai voltar atrás em suas ideias distorcidas, mas vem procurando respeitar um pouco mais quando ouve os bordões dos meninos ou se a Angélica conta como faz para conquistar uma garota. No auge de tantos conflitos, ele desabou em lágrimas. Foi o suficiente para ser redimido de todos os pecados.

Não torço para que Dourado ganhe, apesar que ele está com boa aceitação do público. Porque chorar na TV é como o novo câncer, quase que automaticamente quem está assistindo sente empatia pela pessoa. E o público não entende como homofobia internalizada as atrocidades que ele já disse. A redenção de Dourado é um pouco a redenção de todo mundo, afinal, quem já não zombou dos gays? Dourado é a cara sincera do preconceito brasileiro. Honestamente, prefiro lidar com gente assim do que com os outros participantes. Quase todos aceitaram fácil demais os acessos de viadagem de Serginho e Dicesar. Todo mundo amigo demais e isso soa falso, porque nós sabemos que não é bem assim. Gays podem ser tolerados desde que não sejam viados demais. Dourado foi o único que teve a coragem de deixar bem claro como ele é, preconceituoso e intolerante, além de todas as asneiras sexistas. Por sua sinceridade vil é que torço para que ele continue no programa e faça com que Dicesar, Serginho e Angélica saibam lidar com a situação, ao invés de simplesmente devolver o preconceito que recebem. Vivemos numa sociedade que sempre foi machista e só se soubermos como, literalmente, educar os homofóbicos que nós não somos piores por causa de uma orientação sexual discordante é que chegaremos a uma convivência pacífica em sociedade. Não aplaudo a homofobia de Dourado, aprecio sim sua sinceridade. É a partir daí que se pode mudar alguma coisa.

Porque se a gente procurar conviver apenas com quem aplaude cada ato que fazemos, não estaremos vivendo relações verdadeiras, nós estaremos apenas ampliando o gueto em que se vive.

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Publicação deste post foi autorizado especialmente para o Gay.Com.Br. Contate seu autor para autorização de uso.
BHY
(guest contributor)
http://bhy.tumblr.com/

BHY é o pseudônimo de um belo-horizontino de 40 anos que escreve em seu blog, desde que decidiu que trabalhar com moda não estava tão na moda assim.


One response to “Oi, bem!”

  1. Dr House says:

    @alesie veja esta reflexão interessante sobre dourado do site gay.com.br http://gay.com.br/2010/02/09/oi-bem/

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