G1: ‘Vida militar não se ajusta a homossexuais’, diz general
3 fev 2010 | por RedaçãoDe: Destaques > Brasil > Distrito Federal > br
Brasília - O general-de-Exército Raymundo Nonato de Cerqueira Filho, conversa com o senador Eduardo Suplicy e Dmóstenes Torres ao participar de audiência pública na comissão de Constituição e Justiça do Senado. (Foto: Wilson Dias/Abr)
O general-de-Exército Raymundo Nonato de Cerqueira Filho causou polêmica ontem, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, ao afirmar que há incompatibilidade entre homossexualidade e a atividade militar. De acordo com Cerqueira Filho, “a vida militar reveste-se de determinadas características, inclusive em combate, que pode não se ajusta ao comportamento desse indivíduo”. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) repudiou as declarações.
A CCJ aprovou, por unanimidade, as indicações de Cerqueira Filho e do almirante Álvaro Luiz Pinto para o cargo de ministro do Superior Tribunal Militar (STM), feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As mensagens com as indicações serão apreciadas ainda pelo plenário.
“A maior parte dos exércitos do mundo não admite (homossexuais)”, afirmou o general-de-Exército, segundo a Agência Senado. “Não é que o indivíduo seja um criminoso. Não sou contra o indivíduo ser (gay), cada um toma sua decisão. Se ele é assim, talvez haja outro ramo de atividade que ele possa desempenhar”, disse. Para o general, os homossexuais não conseguem comandar a tropa. A questão da homossexualidade foi provocada pelo presidente da CCJ, Demóstenes Torres (DEM-GO).
Já Luiz Pinto citou a afirmação de um teólogo da França que não se opunha à entrada de homossexuais nos quadros da Igreja desde que fizessem o voto de castidade. Ele declarou que nada tem contra a admissão de gays nas Forças Armadas, “desde que ele mantenha a dignidade da farda, do cargo, do trabalho que executa”. “Se ele mantiver sua dignidade, sem problema nenhum. Se for indigno, ferindo a ética, não seria a favor.”
OAB
O presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante, rechaçou as afirmações de Cerqueira Filho, que julgou “discriminatórias”. “É lamentável que este tipo de discriminação ainda continue existindo nos dias de hoje nas Forças Armadas brasileiras.” Conforme Cavalcante, o que se deve requerer de um militar é disciplina, treinamento e a defesa do País, nos termos da Constituição, independentemente da preferência sexual.
“A defesa do País tem de ser feita por homens e mulheres preparados, adestrados e treinados para este fim, independente da opção sexual de cada um”, disse ele, de acordo com nota da OAB.
via G1

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