“Diário de Rafinha – as duas faces de um amor”, de Léo Dragone, será lançado em setembro na Bienal do Livro, no Rio de Janeiro.
As poesias de Léo Dragone eu já conhecia, por ocasião das Antologias que costumo organizar regularmente. Eram poemas de intensa sensibilidade, que se destacaram imediatamente aos meus olhos. O que eu não imaginava era que este jovem e talentoso escritor também se dedicava à complexa arte de escrever romances. Desta forma, surpreendi-me quando Léo me chegou com esta obra nas mãos, para que eu a avaliasse e desse a minha opinião. Dizia ele que não tinha a pretensão de publicá-la – pelo menos não naquela ocasião. Era o “primeiro filho” de sua “gestação literária”, na categoria “romance”. Um “filho” cujo pai ainda não se via pronto para dividi-lo com o mundo. Coisas de início de carreira de jovens escritores, que logo acabam tendo seu talento reconhecido, quando são realmente bons.
No mesmo dia, comecei a ler Diário de Rafinha – As Duas Faces de Um Amor – de cara já me deixei atrair pelo título. E neste mesmo dia cheguei à última página, pois a trama envolveu-me a tal ponto, que não consegui interromper a leitura. Uma trama cativante, daquelas que prendem o leitor desde o primeiro momento, movendo sua curiosidade sempre em direção à próxima página. Quando dei por mim, já estava todo dentro do livro, havia me transportado para a ficção, sem perceber. Deparei-me com uma série de elementos, com grande força de atração e distribuídos entre personagens muito bem marcados, a maioria composta por adolescentes e jovens. Paixão, conflitos, emoções, aventuras, encantos, desencantos, raiva, desejos e sonhos que se desenrolam e se confundem na adolescência – este preâmbulo da vida propriamente dita, onde a história de cada um começa a se inscrever de fato. Tudo desencadeado a partir do nosso polêmico protagonista Rafael, personagem que carrega em si uma extensa matiz onde estão presentes todas as cores do processo existencial: o mal e o bem, mentira e verdade, possível e impossível, sonhos e pesadelos, a máscara e a pele, sombra e luz, força e fraqueza. De uma forma ou de outra, estou certo, Rafael irá atingir o leitor.
O amor e a diversidade sexual são tratados aqui com sutileza única, desencadeando questões contundentes e inevitáveis, cuja resposta ficará por conta do próprio leitor, como por exemplo: “O amor está acima do bem e do mal?”; “Os fins justificam os meios?”; “Até onde o remorso redime?”; “Que tênue linha divide o desejo ardente do amor verdadeiro?”; “Seria a culpa o mais destrutivo dos sentimentos?”, “A eternidade é possível?”, entre tantas outras. O surpreendente final nos leva a uma reflexão profunda e, certamente, despertará em cada leitor as mais diferentes sensações: aceitação, indignação, compaixão ou dúvida. Diferentes histórias e personagens se entrelaçaram para isto, para dar corpo à real essência da obra, que, a meu ver, reside basicamente nas nuances do amor e nas variações que ele assume, dependendo de cada olhar.
Neste momento, Léo já deve ter outros “filhos” no forno, que serão ou não publicados, não importa. Deixemo-los para o futuro e para a sua hora. O que sei agora é que Diário de Rafinha – As Duas Faces de Um Amor terá sempre um significado especial na vida de Léo Dragone. Não apenas por ser o primeiro, mas porque é raro um livro primeiro despertar no leitor tantas e diferentes emoções. Pelo menos, foi o que aconteceu comigo.
Ao terminar a leitura, procurei o autor para dar-lhe o feedback que ele tanto queria. Sem meias palavras, disse-lhe que engavetar este romance seria um ato de profundo egoísmo. Insisti para que publicasse este “primeiro filho” e me dispus a ajudá-lo no que fosse preciso. A princípio, Léo questionou, resistiu, mas acabou concordando e se apaixonando ainda mais por esse mágico universo dos romances, onde o autor é o único responsável pelo destino de seus personagens.
VALDECK ALMEIDA DE JESUS nasceu em Jequié, Bahia, em 1966. Jornalista, trabalha, atualmente, como funcionário público, editor de livros e palestrante. Publicou os livros Memorial do Inferno: a saga da família Almeida no Jardim do Éden, Feitiço contra o feiticeiro, Valdeck é Prosa e Vanise é Poesia, 30 Anos de Poesia, Heartache Poems, dentre outros. Participa de mais de 30 antologias. É organizador e patrocinador do Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus de Poesia, desde 2005. Expõe seus textos no site GalinhaPulando
Contato com o autor: valdeck2007@gmail.com
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