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G1: Mudança de sigla de GLBT para LGBT divide comunidade gay

13 jun 2008 | por MàssaoUéhara
De: Brasil > Rio de Janeiro > Rio de Janeiro
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mudança da sigla GLBT para LGBT, aprovada em congresso nacional de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais, realizado em Brasília, vem dividindo opiniões dentro da própria comunidade. Há quem defenda o uso do “L”, em referência às lésbicas, no início da sigla, o que daria mais visibilidade às reivindicações das mulheres. Para outros, a mudança principal tem que ser na atitude e não na nomenclatura. Há também quem afirme que o “L” atende à reivindicação de feministas, e nada tem a ver com gays e lésbicas.

‘Sopa de letrinhas’

Com pensamentos próprios, a web designer e criadora do site www.uvanavulva.com.br, Maria Lúcia Filgueiras, de 52 anos, diz que sequer sabia da mudança. “Acho isso uma bobagem. Esse L na frente atende mais a interesses feministas do que propriamente das lésbicas. A gente luta não por igualdade, a gente luta por uma coisa chamada eqüidade, uma coisa muito mais abrangente. Por que mudar? As pessoas já estão acostumadas com a sopa de letrinhas nessa ordem.”

Segundo ela, a confusão é feita dentro da própria comunidade. “Ninguém se entende. Cada um usa uma seqüência de letras, basta procurar nos sites.”

Assumida desde os 17 anos, para Maria Lúcia o ideal seria que a sigla fosse GLBTTI e abrangesse todos os grupos. “Para ser realmente inclusivo tinha que ser gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transgêneros e intersexos, que seriam os andróginos.”

Aos 53 anos, Miriam Martinho, editora-chefe do site www.umoutroolhar.com.br, voltado para o público lésbico, diz que não é contra a nova sigla, mas não vê grande importância nisso.

“Eu acho que a mudança dos termos não altera o produto. Houve uma época que quisemos inserir a palavra lésbica no contexto dos nomes. De fato se falava só em homossexual. Agora que todas as siglas estão representadas, o importante mesmo é ter uma maior mobilização dentro do movimento das próprias lésbicas. Elas têm que ser mais sistemáticas, mais protagonistas. A simples mudança do L não faz grande diferença.”

Míriam explica que, internacionalmente, a sigla LGTB é já usada, e teria sido adotada para dar uma maior visibilidade dentro do movimento lésbico. “É mais uma convenção porque no resto do mundo já é assim. Diria até que é uma delicadeza, mas, na prática, não vai transformar mundos e fundos. Tem outras questões tão mais importantes do que isso.”

‘Discutir letra é discutir perfumaria’, diz secretário

O secretário municipal de Assistência Social da prefeitura do Rio e militante gay, Marcelo Garcia, acredita que a mudança é uma coisa natural, mas o debate totalmente desnecessário.

“Acho o debate sobre a mudança da sigla uma bobagem. Temos que lutar por direitos. O que muda a luta se muda a sigla? Nada. Gastar tempo nesse debate é perder o foco da luta. A mim, como gay, não altera nada ter o L na frente. Discutir letra é discutir perfumaria.”

Com pensamento oposto, outro militante, Cláudio Nascimento, superintendente de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos, que pertence à Secretaria estadual de Ação Social e Direitos Humanos, diz que a mudança é uma antiga demanda das lésbicas, finalmente atendida.

“Não é só uma mudança estética. Tem um caráter político importante que é considerar a questão de desigualdade de gênero dentro do movimento LGBT, já que boa parte da visibilidade social e política ainda recai sobre os gays. É importante, sim. Primeiro porque sempre foi uma reivindicação das lésbicas e segundo porque não houve desacordo entre os outros grupos.”

Também defensor da nova nomenclatura, o coordenador político do Grupo Arco-Íris acredita que gays e travestis sempre tiveram mais visibilidade do que as lésbicas.

“Sempre houve projetos focados para esses segmentos. É preciso combater o machismo e o patriarcado. É preciso construir um modelo de maior igualdade. A reivindicação é antiga e a gente sabe que ter o L na frente é um exercício necessário, que deve ser feito para transformar essa realidade.”

Comunidade recrimina proibição de doação de sangue

Se a mudança da sigla divide opiniões, a proibição de doação de sangue pelos LGBT regulamentada por uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é considerada absurda na comunidade.

“Isso é uma discriminação horrorosa. Isso demonstra toda a mentalidade da coisa, demonstra que todo gay a princípio já é considerado devasso. Não tem nada a ver. Você vê o índice de crescimento da Aids dentro dos heterossexuais, principalmente entre as mulheres. O cuidado deve ser tomado em relação a todos.
Já deixamos de ser grupo de risco há muito tempo”, defende Maria Lúcia.

Júlio, do grupo Arco-Íris, é da mesma opinião. “O risco existe em qualquer orientação sexual. A gente não pode colocar um determinado segmento como suscetível de ter um sangue de qualidade inferior. Defendemos a melhoria do serviço de testagem do sangue. Qualquer sangue tem que ser testado.”

A editora Míriam Martinho fala que a questão é delicada. “Os gays em geral reclamam que é discriminação porque um heterossexual também pode ser promíscuo. É um argumento bastante considerável. O simples fato de ser homossexual não quer dizer que a pessoa está contaminada.”

Cláudio Nascimento afirma que a proibição é um grande equívoco técnico e político e que só faz ampliar o estigma contra a comunidade LGBT. “Parte-se da idéia de que vivemos num Brasil uma situação de grupo de risco, como foi na década de 80. O que cada vez mais vem sendo discutido no Brasil e no mundo é o conceito do comportamento de risco, que não é específico dos homossexuais. Se encaixa a qualquer pessoa que não use camisinha, não só os homossexuais.”

Para ele, há discriminação. “Na hora que vai doar, quem não fala que não é LGBT passa. Se disser que é LGBT eles proíbem. Um critério totalmente subjetivo numa matéria que tem que ser objetivo e pragmático”, completa.

Já Marcelo Garcia diz que não há uma justificativa plausível dos órgãos de saúde para a proibição. “É um absurdo histórico e preconceituoso. Independentemente de ser gay ou não, o meu sangue tem que ser testado. Não tenho Aids, nunca tive hepatite e poderia ser doador”, defende.

Cláudia Loureiro Do G1, no Rio

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MàssaoUéhara
Paulistano, gay e soro+. Acredita que haverá um mundo melhor para os homossexuais, vivendo igualitariamente. O gueto, o preconceito e discriminação homofóbica será apenas história. Bom sonhar, mas luta para que a sonho vire realidade (ao menos partes dele).

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