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Caso de professor espancado ganha repercussão na Câmara

5 set 2007 | por MàssaoUéhara
De: Brasil > São Paulo > São Bernardo do Campo
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O episódio do professor Alessandro Faria Araújo, 40 anos, agredido em fevereiro, em São Paulo, por um grupo homofóbico denominado “devastação punk”, chocou a opinião pública e ganhou repercussão na Câmara Municipal. Durante a sessão ordinária desta quarta-feira, Araújo pediu apoio dos parlamentares para discutir o que ele considera um “ato discriminatório”: sua demissão.

Ex-docente dos cursos de graduação e pós-graduação da Faculdade Anchieta, ele alega ter sido demitido após sua exposição na mídia. “O primeiro preconceito foi me impedir de citar o nome da instituição nas entrevistas, não queriam vincular a faculdade a um homossexual. Quando me recuperei fisicamente, pedi ajuda para me locomover até o campus, pois moro em São Paulo, e negaram. Por fim, pedi afastamento de três semanas por depressão fisiológica”, revela.

Segundo Araújo, as coordenadorias garantiram que ele retomaria as aulas no segundo semestre deste ano, após avaliação médica. “Eu estava sob proteção policial, não podia comparecer ao local indicado e pedi para remarcarem o exame, mas não obtive resposta”, conta. “Em junho me chamaram para repassar as aulas, no entanto, a coordenadora de pedagogia informou que eu estava fora da equipe alegando falta de turmas e excesso de professores”.

Na opinião do profissional, graduado em filosofia e mestre em comunicação e semiótica, as alegações são falsas. “Sou o único habilitado para dar aulas de metodologia científica, sociologia geral e jurídica, filosofia e psicologia. Não faz sentido dizer que não teriam salas ou alunos suficientes. Ter minha imagem veiculada ao ato de violência homofóbica e assumir publicamente minha orientação sexual foi o que tirou minhas aulas”, desabafa.

Em função do espancamento, Araújo esta movendo cinco ações judiciais, duas contra os agressores que já foram capturados (danos morais, materiais e estéticos), duas contra a faculdade (danos morais e trabalhistas) e uma contra o Estado (danos morais e estéticos), por omissão de socorro da Polícia Militar. O próximo passo será a criação de um seminário sobre preconceito: Diversidade & Sobrevivência – O Homokausto da Educação. “A idéia é levar a discussão aos centros acadêmicos da região”.

O apoio da Câmara – Mobilizado, o vereador José Ferreira apresentou um requerimento de apoio ao professor – o documento não entrou em votação – e Tião Mateus protocolou um requerimento de repúdio à organização, mas a proposta foi adiada por duas sessões e remetida à Comissão de Direitos Humanos do Legislativo.

De acordo com o presidente da Comissão, Gervásio Paz Folha, antes de qualquer decisão, os integrantes do colegiado vão apurar o caso. “Não podemos tomar partido sem esclarecer os dois lados da história. Portanto, vamos convocar uma reunião com a faculdade na próxima semana para esclarecer o episódio. Depois conversaremos com o professor para definir se aprovaremos o voto de repúdio”.

No entanto, o argumento não agradou a bancada de oposição e Wagner Lino ocupou a tribuna justificando sua opinião com base na Constituição Federal e na Lei Orgânica do Município. “As leis são claras ao especificarem que nenhum cidadão pode ser punido ou privado de seus direitos por motivo de raça, cor, idade, estado civil ou sexualidade”.

Para o presidente da Câmara, Amedeo Giusti, trata-se de um “caso de polícia”. “Sou contra qualquer tipo de preconceito, mas não podemos fazer um pré-julgamento a favor ou contra uma das partes. Justamente para evitar qualquer ação precipitada o documento será discutido posteriormente”, finalizou.

via Câmara Municipal de São Bernardo do Campo

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MàssaoUéhara
Paulistano, gay e soro+. Acredita que haverá um mundo melhor para os homossexuais, vivendo igualitariamente. O gueto, o preconceito e discriminação homofóbica será apenas história. Bom sonhar, mas luta para que a sonho vire realidade (ao menos partes dele).

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